domingo, 6 de maio de 2012


Ainda que fique a esperar n’alguma janela perdida de um beco lateral. Ainda que esqueça todos os nomes que julguei um dia encontrar sossego só em pronunciá-los. Ainda que saia e me rasgue e me sufoque em gritos e dores. Ainda que apenas um abajur ilumine a dúvida. A etérea, a devassada, a sublime experiência de já ter sido, de já ter ido e ter revivido. Mórbida sou e és assim. Triste e van, submissa. Esquecida que fui e ainda pestanejo colírios coloridos. Ainda. Ainda. A palavra arde na língua. O verbo seca na boca. Não digo, não fui. Esqueci-me de ser. O sonho, o delírio e o mundo me tragou. Me esvaí em saudade, em súplica, em desespero. Despedaçada irei por aí. Não caibo na palma de minha mão. Esmiúço meus medos. Deleite. De leite.