Ainda que fique a
esperar n’alguma janela perdida de um beco lateral. Ainda que esqueça todos os
nomes que julguei um dia encontrar sossego só em pronunciá-los. Ainda que saia
e me rasgue e me sufoque em gritos e dores. Ainda que apenas um abajur ilumine a
dúvida. A etérea, a devassada, a sublime experiência de já ter sido, de já ter
ido e ter revivido. Mórbida sou e és assim. Triste e van, submissa. Esquecida
que fui e ainda pestanejo colírios coloridos. Ainda. Ainda. A palavra arde na
língua. O verbo seca na boca. Não digo, não fui. Esqueci-me de ser. O sonho, o
delírio e o mundo me tragou. Me esvaí em saudade, em súplica, em desespero.
Despedaçada irei por aí. Não caibo na palma de minha mão. Esmiúço meus medos. Deleite.
De leite.