Um cidadão que não possui a capacidade de leitura e escrita numa sociedade grafocêntrica (que prioriza a escrita) como a nossa, está sujeito a ficar à margem, distante das decisões e do convívio natural e social. Alguns se consideram cegos, pois a tudo que fazemos necessitamos de leitura. Nos grandes centros, se não for capaz de identificar a numeração dos ônibus, o cidadão fica condenado a não conseguir sair do lugar; no supermercado, não poderia identificar os produtos só pela marca; no banco, seria impossível, sozinho, movimentar o seu cartão de crédito. Enfim, para tudo que se faz na cidade se impõe a capacidade de identificar as letras e os números.
Apesar dessa verdade incontestável, é fácil identificar em todo o país adultos que não tiveram acesso à educação no período escolar.
Somente a partir de 1934, o Estado assumiu como sendo de seu dever a educação de jovens e adultos, criando o Plano Nacional de Educação, onde incluía em suas normas a oferta do ensino primário integral, gratuito e de freqüência obrigatória, extensiva para adultos. A partir daí, outras medidas, tão significativas e insuficientes como essa, foram criadas, para citar como exemplos, tiveram: a instalação do Estado Nacional Desenvolvimentista, em 1946, que gerou a necessidade de mão-de-obra qualificada e alfabetizada; Em 1947, o MEC promoveu a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA); Nos anos 50, foi realizada a Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo (CNEA), que marcou uma nova etapa nas discussões sobre a educação de adultos; Na década de 60, com o Estado associado à Igreja Católica, novo impulso foi dado às campanhas de alfabetização de adultos, no entanto, em 1964, com o golpe militar, todos os movimentos de alfabetização que se vinculavam à idéia de fortalecimento de uma cultura popular foram reprimidos, o Movimento de Educação de Bases (MEB) sobreviveu por estar ligado ao MEC e à igreja Católica. Todavia, devido às pressões e à escassez de recursos financeiros, grande parte do sistema encerrou suas atividades em 1966. A década de 70, ainda sob a ditadura militar, marca o início das ações do Movimento Brasileiro de Alfabetização o MOBRAL, que era um projeto para se acabar com o analfabetismo em apenas dez anos. Após esse período, quando já deveria ter sido cumprida essa meta, o Censo divulgado pelo IBGE registrou 25,5% de pessoas analfabetas na população de 15 anos ou mais. Logo em seguida, surge o ensino supletivo, implantado em 1971, foi um marco importante na história da educação de jovens e adultos do Brasil, com a proposta de ser um modelo de educação do futuro, atendendo às necessidades de uma sociedade em processo de modernização. Em 1985, o MOBRAL foi extinto sendo substituído pela Fundação EDUCAR. A nova Constituição de 1988 determinava que o ensino fundamental, obrigatório e gratuito, passaria a ser garantia constitucional também para os que a ele não tiveram acesso na idade apropriada. Em março de 1990, com o início do governo Collor, a Fundação EDUCAR foi extinta. Em janeiro de 2003, o MEC anunciou que a alfabetização de jovens e adultos seria uma prioridade do novo governo federal. Para isso, foi criada a Secretaria Extraordinária de Erradicação do Analfabetismo, cuja meta é erradicar o analfabetismo durante o mandato de quatro anos do governo Lula.
Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
No Programa Brasil Alfabetizado, a assistência é direcionada ao desenvolvimento de projetos com as seguintes ações: Alfabetização de jovens e adultos e formação de alfabetizadores.
O Programa está em andamento, e ainda não é possível dizer se funciona ou não, mas, já é motivo suficiente para render graças à iniciativa, que finalmente dá ao problema a importância que ele exige, ou seja, não só os alunos recebem atenção, mas também os professores são preparados continuamente, recebendo capacitações e material suficientes para realizar o seu trabalho. Penso que o governo está trilhando o caminho certo, a nós, cabe torcer para que o Programa renda frutos positivos no futuro. Cruzemos os dedos!
Nenhum comentário:
Postar um comentário